DASA3: Um diagnóstico geral
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Com isso fora do caminho, vamos agora ao texto desse mês: uma análise de valor da Diagnósticos das Américas SA.
O que é a DASA? Bom, é uma holding que atua em diferentes subsetores do mercado médico, especificamente: medicina diagnóstica, hospitais, cuidados integrados, centros médicos e saúde corporativa, com atuação tanto no Brasil, quando no Uruguai e Argentina.
E como ela faz isso? Ora, com o "propósito de criar uma rede nacional completa e integrada de serviços de saúde" (de acordo com seu primeiro relatório de resultados de 2021), a companhia foi reestruturada para melhorar o seu branding com o objetivo de se tornar mais atraente e reconhecida no mercado, além de modificar sua estratégia de atuação nesse mercado, passando a trabalhar com aquisições e tecnologia para adquirir expertise em novos mercados e aumentar o custo-benefício das suas operações, através de sinergias com as empresas adquiridas.
Assim, a DASA deixa de ser uma operadora de saúde e torna-se uma integradora de saúde, com braços específicos para operar cada aspecto do seu negócio. Me parece muito interessante, ainda mais por que eles seguem realizando aquisições a todo vapor, com uma média de 7 aquisições por ano. Isso custa um pouco caro para a companhia, como podemos ver no gráfico de Dívida Líquida/EBITDA. Hoje, esse múltiplo está em 7.5x.

Para aqueles que não se lembram desse múltiplo, aqui vai um lembrete: EBITDA é o lucro da companhia antes de descontarem impostos e juros (despesas financeiras) e depreciação e amortização (despesas contábeis). Dívida Líquida é toda a dívida da compahia após subtraído todo o dinheiro que ela tem em caixa. Ao dividir o segundo pelo primeiro, temos uma estimativa de quanto tempo demoraria para a companhia repagar sua dívida considerando somente o que sua operação é capaz de fornecer de dinheiro. Nesse caso, 7 anos e 6 meses. Como esses dados ainda não contemplam o ano fiscal completo da DASA, podem haver algumas divergências dependendo de como é calculado o EBITA (últimos 12 meses, year to date ou trimestre), mas pelo que pude ver, o número para 2021 não vai ficar muito abaixo de 5x (a não ser em uma agradável surpresa).
Não me parece a estratégia mais adequada comprometer tanto assim a geração de caixa da companhia, ainda mais com o momento de juros alto (a taxa média da dívida da companhia é de CDI + 1.4% ao ano), com a maior parte dela (77%) devendo ser paga entre 2022 e 2024, sem considerar novas aquisições.
Historicamente, a companhia sempre pagou dividendos (desde 2008), porém, não apresentou um crescimento constante desses proventos, sendo um pouco errático quanto à previsibilidade deles.
O histórico recente da companhia é relativamente bom (descontando-se as crises de 2008 e de 2020), sempre auferindo lucros tímidos e margem mais tímida ainda, sempre abaixo de 10%. Também note o baixo retorno sobre o capital do acionista (ROE e ROA rspectivamente, ambos abaixo de 10% no passado recente).

Em comparação com o resto do mercado, resolvi observar outras companhias do setor de saúde que atuam nos mesmos mercados que a DASA. Biodelivery Sciences International (BDSI) é uma empresa de biotecnologia dos Estados Unidos que desenvolve medicamentos para doenças crônicas; HapVida (HPVD3) trabalha com planos de saúde e também com serviços laboratoriais; Rede D'or (RDOR3) trabalha com hospitais; Instituto Hermes Pardini (PARD3) trabalha com serviços laboratoriais, análises clínicas e serviços de diagnóstico médico. Assim, podemos ver como seria o mercado para cada um dos segmentos que a DASA atua e julgar se ela se distancia muito das condições médias (seja estando cara, ou estando barata). Também, para termos uma visão ainda mais clara, incluí outros indicadores para discutirmos.

Vamos começar pelo "P/B (LTM": ele mostra o valor de mercado da companhia (numero de ações * preço por ação), dividido pelo Patrimônio Líquido da companhia dos últimos 12 meses (Ativos - Passivos). Quanto menor esse indicador, mais desvalorizada está a companhia. Nesse quesito, ponto pra DASA, que está com o menor múltiplo entre as empresas.
Depois, temos o "P/TBV (LTM)": mostra o valor de mercado da companhia, divido pelos seus ativos tangíveis (ou seja, aqueles que são físicos, como máquinas, prédios, galpões, e não aqueles que são intangíveis como direitos sobre software, propriedade intelectual, marcas e patentes). De novo, quanto menor esse indicador, melhor. Mas devemos ter em mente que certos negócios não possuem ativos tangíveis, como é o caso da PARD3. Isso normalmente não costuma ser um problema, mas invalida a comparação da PARD3 com a DASA3. Mas, olhando as outras empresas, me parede que a DASA está um pouco valorizada demais.
Agora, o "P/E (NTM)": o preço de mercado da ação, dividido pelo lucro esperado por ação dos próximos 12 meses. Essencialmente, em quantos anos você deve esperar para dobrar seu capital investindo na companhia. Note: *ESPERAR* não significa garantia de retorno, é apenas mais uma informação para tomada de decisão. Nesse quesito, note que a DASA3 está extamente no meio do ranking. Nem cara, nem barata.
Esse indicador é uma raridade hoje em dia, "Dividend Per Share, CAGR (10Y FY)": é a taxa de crescimento dos dividendos a cada ano fiscal da companhia num período de 10 anos, expresso numa taxa anualizada. Dentro dessa nossa lista, apena a DASA apresenta um histórico grande o suficiente de pagamento de dividendos, o que é realmente impressionante. Ainda, o fato de que o crescimento médio foi de 9,37% ao ano, ao longo dos últimos 10 anos nos da uma visão de que a companhia também é focada em criar valor para o acionista.
Agora, para o indicador de endividamento: "Net Debt/EBITDA (FQ)", "Net Debt/EBITDA (FY)", "Net Debt/EBITDA (LTM)", que nada mais é do que Dívida Líquida/EBITDA que expliquei anteriormente, sendo calculado no último trimestre (FQ), último ano fiscal (FY) e o acumulado dos últimos 12 meses (LTM). Note que, se a DASA3 trabalhasse somente com hospitais, um múltiplo mais elevado até faria sentido se comparássemos com RDOR3, porém ao olharmos o resto das companhias, DASA é sempre uma das duas ações com múltiplos mais altos, ou seja, das mais endividadas.
Quanto ao mercado no qual a DASA se insere, vamos observar alguns dados do IESS (Instituto de Estudo de Saúde Suplementar). Primeiro, vamos ao VCMH (Variação do Custo Médico Hospitalar) que pode ser interpretado como a inflação do mercado médico. Caso queira entender no detalhe como ele é calculado, clique aqui. É suficiente dizer que é um índice bem feito e mundialmente padronizado, portanto, tende a ser um bom indicador.

Note que, até a pandemia, tínhamos uma forte tendência de queda nos preços, mas parece que o mercado, após esse evento, retomou a todo vapor, corrigindo fortemente os preços para cima. Olhando num horizonte de 10 anos, podemos ver uma tendência de alta nos preços dos planos médicos. Considerando o provável envelhecimento da população brasileira, é razoável imaginar que essa tendência prevaleça.
Ao olhar o número de operadoras de planos de assistência médico-hospitalar, podemos também tirar algumas conclusões e montar uma imagem mais clara de como está o mercado médico:

Parece estar havendo uma forte concentração das operadoras de planos de saúde, o que pode contribuir para uma pressão maior de preços para agentes como a DASA. Nesse quesito, quem sofre mais são as empresas menores, que perdem mercado para a gigante do setor, com maior capacidade de absorver custos. Claro, isso não é um fato, mas é o que que acontece na maior parte dos casos.
Agora, vamos a dois indicadores que creio que me convenceram de que o mercado médico pode entrar uma franca expansão nos próximos anos: o Total de Beneficiários de Planos Médico-Hospitalares junto com o número de Beneficiários de planos médico-hospitalares segundo faixa etária de reajuste:


Dos 49 milhões de beneficiários, 56% deles ainda tem uns 40 anos de utilização de planos de saúde daqui pra frente. Ainda, tem-se uma tendêcia de aumento na cobertura dos planos de saúde, portanto, aumentando o potencial desse mercado.
Assim, a depender dos resultados dos próximos trimestres, a DASA se mostra uma sólida empresa, com grandes oportunidades de crescimento. Mas, o endividamento me amedronta um pouco, e, caso não consigam aumentar sua lucratividade, seu crescimento futuro pode ser reduzido.
Comentem abaixo o que gostariam de ver!
Por hoje é só! Um abraço,
Pedro Palumbo Gaiarsa.





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